De que forma e onde começou o interesse pela fotografia documental?
O interesse pela fotografia documental, sempre esteve presente desde a primeira fotografia ou talvez antes dela, na medida em que acho que o primeiro registo de um fotografo está carregado daquilo que já é, ou do tanto que já viveu.
Hoje sei que as narrativas que construía nas minhas vivências, eram de alguma forma um registo documental de imagens reais, que misturava com os sonhos de infância. Uma espécie de Amelie Poulain atraída por detalhes do dia a dia, que muitas vezes passam despercebidos aos olhos de tanta gente.
A fotografia documental nasce assim antes do corpo ou das lentes. Ganha forma depois de eu ganhar consciência.
Descobri este tipo de registo na primeira visita ao Word Press Photo. Ai entendi o impacto da fotografia documental, a importância de contar a história.
Como surgiu o nome “Mão Cheia”?
Mão cheia surgiu de uma conversa em família. De uma analogia entre os elementos que a compõem e um mão aberta. Daí saltou para a folha uma ilustração, com cinco dedos representativos de cada um dá nossa casa.
Achei que fazia sentido uma vez que a família é e sempre será a estrutura, o alicerce ou a alavanca. Uma mão cheia de sentido, na escolha da expressão que melhor nos define no contexto.
Qual a preparação para um sessão documental?
A melhor preparação para a sessão documental é preparar as pessoas que vão ser fotografadas para a realidade do que é o documental.
Há muitas pessoas a querer este tipo de registo porque ouviu falar mas que não têm o conhecimento devido sobre o conceito do mesmo. Desta forma a preparação é essencial para que o resultado seja o esperado e não o contrario.
O resto é poesia e sensibilidade.
Quais são as principais diferenças entre uma sessão tradicional e uma sessão documental?
Deduzo que o tradicional se refira ás antigas sessões fotográficas feitas em estúdio. Poses combinadas, sorrisos forçados, posturas convencionais…
Ainda existem essas fotografias! Um bom exemplo, são as fotografias de escola, onde as crianças estão todas no mesmo cenário, preferencialmente na mesma posição. Não deixa de ser uma memoria, contudo é distinto da fotografia documental que visa um trabalho interpretativo, poético e mais elaborado acerca de determinada pessoa, evento, produto, acontecimento… É um estilo que legou muito do fotojornalismo consolidado nos anos 30, com o foco social na inteireza, objectividade e credibilidade.
A fotografia documental ao contrário da tradicional tem um compromisso com a verdade e essência, seja de alguém ou de algo.
Como é lidar com a curiosidade e sinceridade das crianças durante uma sessão?
As crianças têm a espontaneidade que os adultos perderam. A naturalidade das crianças acaba por ser o melhor aliado numa fotografia que ambiciona ser verdade. No entanto lidar com esta impulsividade característica dos mais novos, obriga a um regresso à nossa própria infância. Quando fotografo crianças sinto no olhar deles um reconhecimento de quem fala a mesma língua e é ai que sinto a aprovação deles para poder regressar aquele mundo. Uma espécie de mundos paralelos ou não fosse o segredo do homem a própria infância.
Qual o maior desafio que um fotógrafo pode encontrar na fotografia de família?
Poderá parecer estranho , mas considero que o maior desafio que o fotografo pode encontrar na fotografia de família, é a falta de verdade na mesma. Um profissional de fotografia documental preza pela essência e verdade da mesma. Ele quer deixar em imagens uma historia para contar. Quando uma família se esforça para parecer em vez de ser o fotografo sente e gerasse constrangimento na ausência de autenticidade.
Qual é a maior ou as maiores dicas para quem quer começar a fazer este tipo de fotografia?
Sentidos apurados em todos os sentidos. Seja a ouvir uma musica, a visitar um lugar, a ler um livro. Permitir mo nos vivenciar experiências de uma forma autentica, sem esforço. A fotografia, ou a arte em geral está impregnada de nós. Desta forma considero que o mais importante será sempre o auto conhecimento.
E é esta passagem, de um saber de experiência vivida, que espero que fique no meu trabalho.
Para mim deixar feito é melhor do que fazer. Penso no que fica enquanto faço.
Para quem quer começar a fazer este tipo de fotografia, recomendo uma tarde em família, um baú cheio de fotografias e boas conversas. Depois virá a reflexão do que se sentiu, do que faltou para construir a memória que falha.
Depois desta viagem, a segunda dica que fica é ver muitos trabalhos de outros fotógrafos com quem nos identificamos e outros que não gostamos. É importante saber para onde queremos remar e onde não queremos ir.
Por ultimo fotografar, fotografar, fotografar… ter sempre presente que a fotografia é a soma das nossas vivências mais a humildade para reconhecer uma eterna aprendizagem.
















































































































